O Que Levar para a Patagônia Argentina: Guia de Roupas, Dinheiro e Segurança – Parte 2

1. O que levar na bagagem: o segredo das camadas
2. Como levar dinheiro e cartões
3. Acesso à internet na Patagônia Argentina
Planejar a primeira viagem para a Patagônia Argentina a dois é o sonho de muitos casais, mas organizar um roteiro perfeito para explorar os glaciares e a natureza do fim do mundo exige atenção a detalhes práticos que fazem toda a diferença. Se você já acompanhou a Parte 1 do nosso guia completo, onde mapeamos os primeiros passos dessa viagem, sabe que a nossa prioridade é sempre buscar experiências únicas, vivendo o destino de forma genuína.
Nesta segunda parte, abrimos o nosso diário de bordo de El Calafate, El Chaltén e Ushuaia para responder as maiores dúvidas de quem está na fase de preparação. Eu e o Rodrigo detalhamos aqui exatamente o que levar na bagagem para enfrentar as variações climáticas com conforto, as melhores estratégias de câmbio para levar dinheiro pra Argentina hoje, além do que você precisa saber sobre a segurança e o acesso à internet na região. Tudo testado na prática para garantir que o roteiro flua sem imprevistos.
1. O que levar na bagagem: O segredo das camadas
A regra de ouro na Patagônia para não passar frio é uma só: vista-se como uma cebola. O clima muda drasticamente em questão de horas. Você pode começar uma trilha para ver o Monte Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares em El Chaltén, com sol e ceú azul, e de repente, começa a nevar. Então você deve estar preparado(a) para não sofrer com o frio.

O kit de sobrevivência ao frio:
Segunda pele (Térmica): Fundamental. Leve blusa e calça térmica de boa qualidade. O melhor tecido para usar embaixo do fleece é o sintético (poliéster ou poliamida). A principal função dela não é aquecer, mas sim afastar o suor da sua pele rapidamente para manter o corpo seco. Nunca use algodão como segunda pele. O algodão retém a água do suor como uma esponja. Ele demora muito para secar e, quando você parar de caminhar, o tecido molhado vai esfriar o seu corpo rapidamente, gerando risco de hipotermia.
Fleece: O fleece serve como a camada de aquecimento (segunda camada) nesse sistema de três camadas, principalmente se for fazer trekking. A sua principal função é reter o calor do seu corpo enquanto permite que a umidade gerada pelo suor continue saindo. As fibras do fleece criam bolsas de ar que aprisionam o calor que o seu próprio corpo produz. Ele trabalha em conjunto com a segunda pele. O fleece recebe a umidade que saiu da sua pele e a joga para a atmosfera (ou para a terceira camada). Por ser feito de poliéster, ele absorve pouquíssima água e seca muito rápido se molhar. Além de ser super leve.
Corta-vento impermeável: O vento na Patagônia não é brincadeira, especialmente perto dos glaciares em El Calafate, até as árvores ficam tortas. Um casaco robusto que corte o vento e aguente chuva será essencial. Ele irá bloquear o vento e impedir que ele roube o calor do seu corpo. Ele barra o vento de fora, mas permite que o vapor do seu suor (que passou pela segunda pele e pelo fleece) continue saindo. É uma peça extremamente leve e fina, que cabe em qualquer bolso da mochila. Ele não possui isolamento térmico, então se você usá-lo sozinho sem o fleece por baixo, sentirá frio. A maioria possui um tratamento repelente à água (DWR), aguentando garoas muito finas e rápidas, mas chuva muito forte irá molhar. Se o período da viagem for de chuva forte, a peça correta é um casaco impermeável mesmo. (Anorak)
Calçado de trekking: Nada de tênis de academia para as trilhas. Botas de trekking impermeáveis e confortáveis garantem estabilidade no gelo e na lama. O clima irá influenciar muito na escolha da bota ideal, pois é um local onde tem períodos de neve. Como a maioria das trilhas fecham no inverno devido ao grande acúmulo de neve, você pode optar por uma boa bota impermeável, caso encontre terrenos mais úmidos ou com pouca neve. Gostamos muito das botas, pois são ideais para terrenos irregulares, pois oferecem maior estabilidade e suporte para o tornozelo. Procure botas que tenham solado com tração para garantir estabilidade nos diferentes terrenos. Devem ser impermeáveis para manter os pés secos enquanto permitem a respiração. O couro mais rígido ajuda a evitar torções. Além disso, uma biqueira reforçada protege contra chutes sem querer em pedras. E nunca use botas novas diretamente na trilha, é necessário amaciá-las bem antes da viagem para evitar bolhas em um trajetos longos.
Acessórios de frio: para se proteger melhor não esqueça de levar gorros ou toucas, pois são essenciais para cobrir as orelhas e reter o calor. Buff ou gola tubular, são muito melhores que cachecóis tradicionais porque não soltam com o vento forte e protegem o pescoço, o queixo e o rosto. Meias e luvas térmicas impermeáveis evitam que os pés e mãos fiquem congelados ou úmidos durante as trilhas e passeios.
Protetor solar: é obrigatório usar protetor solar na Patagônia, fator 30 ou superior, além de protetor labial e óculos de sol. O índice de radiação UV na região é alto mesmo em dias frios, nublados ou com neve, que reflete os raios solares, e a altitude e o vento forte aumentam o risco de queimaduras.


2. Como levar dinheiro e cartões
A economia argentina tem suas particularidades, e os preços estão bem caros para qualquer coisa e mesmo fora do eixo turístico. Para manter a praticidade e aproveitar a gastronomia fantástica da região sem gastar uma fortuna, a melhor estratégia hoje é diversificar. Leve o cartão de crédito que oferecer melhores taxas como reserva, e principalmente se for alugar carro. Cartões internacionais como Nomad ou Avenue estão sendo amplamente aceitos e, na Argentina, costumam processar a conversão pelo Dólar MEP, que é uma cotação muito mais vantajosa que a oficial e super próxima do câmbio paralelo (Dólar Blue). Leve pelo menos dois, um de cada bandeira, pois tem lugares que só aceitam ou Mastercard ou Visa.
Dica dos Pombos: Leve sempre um pouco de dinheiro em espécie (dólares em notas novas ou reais) para trocar por pesos logo na chegada. A Casa de Câmbio Banco de la Nación Argentina que fica no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, costuma ter as melhores taxas, mas costuma ter muita fila também. Alguns táxis, gorjetas ou lojinhas de artesanato em Ushuaia podem não aceitar cartão. Ter um dinheirinho em pesos na carteira pode ajudar.


3. Acesso à internet na Patagônia Argentina
Sinal de celular na Patagônia é ótimo nos centros urbanos. Em El Calafate e no centrinho de Ushuaia, o 5G funciona muito bem e os hotéis oferecem Wi-Fi rápido e grátis. Nossa dica é já sair do Brasil com um eSIM (chip virtual) ativado, para ter internet assim que o avião pousar. Só fique atento se seu celular aceita um eSIM. Geralmente os celulares mais modernos aceitam. Se não tiver essa função, vá de chip físico mesmo que também funciona muito bem na Patagônia argentina. Eu levei um eSIM da Airalo e o Rodrigo um chip físico da America Chip (comprado antes da viagem).
Nos parques nacionais e durante as navegações pelo Canal de Beagle, o sinal some. E quer saber? Que bom! Aproveite essa desconexão forçada. Esqueça os stories por algumas horas e olhe para o seu parceiro(a), respire o ar puro e escute o barulho do gelo quebrando no gigante Glaciar Perito Moreno. A natureza da Patagônia é um espetáculo que exige presença total. Você posta as fotos depois!
4. Segurança: Dá para relaxar?
Uma das melhores partes de viajar para o sul da Argentina é a paz de espírito. A Patagônia é uma região extremamente segura, com índices de criminalidade muito baixos, bem diferente da tensão que às vezes sentimos nas grandes capitais. Eu e o Rodrigo caminhamos à noite tranquilamente, voltando dos restaurantes, e nos sentimos super confortáveis. Claro que tomamos as devidas precauções que todo brasileiro conhece, mas a Patagônia argentina tem um clima de interior mais seguro e simples.


O verdadeiro “perigo” da Patagônia não são as pessoas, mas sim a natureza implacável. Respeite as trilhas demarcadas, nunca subestime o frio, passe protetor solar, pois o reflexo do sol no gelo queima muito!
Preparados para fazer as malas? A Patagônia é aquele tipo de destino que marca a história de qualquer casal. É intenso, grandioso e absurdamente romântico do seu próprio jeito selvagem.
Ficou com alguma dúvida sobre o que colocar na mala ou como se planejar? Deixa aqui nos comentários que a gente responde! Nos próximos posts continuaremos nossa aventura pela Patagônia com muitas dicas pra você.
