O Guia Completo para a Primeira Viagem na Patagônia Argentina – Parte 1

Montamos esse guia pra te ajudar a planejar a sua viagem para a Patagônia Argentina. Você vai encontrar nesse post:

1. O que é a Patagônia Argentina?

2. Quando ir para a Patagônia: qual a melhor época do ano?

3. Como chegar na Patagônia Argentina?

1. O que é a Patagônia Argentina?

A Patagônia não é uma cidade, país um um parque natural, mas sim uma vasta e remota região geográfica localizada no extremo sul da América do Sul, compartilhada por dois países: Argentina e Chile. Por isso, quando procuramos por Patagônia, sempre aparece Patagônia Argentina ou Patagônia Chilena. A região é conhecida como uma das últimas grandes fronteiras selvagens do planeta, ela é famosa por suas paisagens extremas e intocadas, que variam de montanhas nevadas e pontiagudas, geleiras maciças e milenares, lagos de no meio das montanhas e planícies áridas.

Se você não sabe exatamente qual cidade patagônica escolher, separamos as províncias que formam a Patagônia Argentina e as principais cidades e mais conhecidas para te ajudar:

1. Província de Neuquén (Norte da Patagônia)

  • Neuquén: A capital da província e a cidade mais populosa de toda a Patagônia.

  • San Martín de los Andes: Famosa por sua arquitetura alpina, lagos e o centro de esqui Chapelco.

  • Villa La Angostura: Conhecida como o “Jardim da Patagônia”, muito procurada por suas paisagens e florestas exuberantes.

2. Província de Río Negro

  • San Carlos de Bariloche (ou apenas Bariloche): Provavelmente a cidade patagônica mais famosa entre os brasileiros, conhecida por suas estações de esqui (como o Cerro Catedral) e produção de chocolate.

  • Viedma: A capital da província.

  • El Bolsón: Uma cidade menor, famosa por sua cultura alternativa, produção de cerveja artesanal e feiras de artesanato.

  • Las Grutas: Um importante balneário na costa atlântica patagônica.

3. Província de Chubut

  • Puerto Madryn: A principal base para quem quer observar a vida marinha na Península Valdés (como baleias, pinguins e leões-marinhos).

  • Trelew e Rawson: Rawson é a capital, mas Trelew é maior e atua como um importante centro comercial e logístico.

  • Comodoro Rivadavia: Um polo industrial e petroleiro muito importante para o país.

  • Esquel: Conhecida pelo trem histórico “La Trochita” e o Parque Nacional Los Alerces.

4. Província de Santa Cruz (Sul da Patagônia)

  • El Calafate: A principal porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares, onde fica o imponente Glaciar Perito Moreno.

  • El Chaltén: Conhecida como a “Capital Nacional do Trekking” da Argentina, famosa pelas trilhas ao redor do Monte Fitz Roy.

  • Río Gallegos: A capital da província e um importante ponto de conexão para o extremo sul.

5. Província de Tierra del Fuego, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul

  • Ushuaia: A capital da província, famosa por ser a “Cidade do Fim do Mundo”, localizada às margens do Canal de Beagle.

  • Río Grande: A maior cidade da província, com forte presença industrial e conhecida como a “Capital Internacional da Truta”.

mapa explicativo detalhando todas as regiões que compõem a Patagônia Argentina
Mapa da Patagônia Argentina

 

Para nós, que somos biólogos, a Patagônia Argentina não é apenas um destino no mapa, mas um laboratório vivo de geleiras milenares, de vegetação e animais totalmente adaptados ao vento e frio extremos. Elaboramos este guia para estruturar a sua primeira viagem por esse ecossistema bem diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil. Aqui, mapeamos as variáveis climáticas, a infraestrutura das principais cidades bases e a logística necessária para explorar a região com conforto e contemplação estratégica. E as cidades que escolhemos conhecer e iremos dar mais detalhes foram El Calafate, El Chálten e Ushuaia.

2. Quando ir para a Patagônia: qual a melhor época do ano?

O microclima da região é totalmente imprevisível. Compreender as estações do ano é o primeiro passo para uma experiência bem-sucedida, pois a paisagem e a temperatura altera drasticamente no mesmo dia ou de um dia para o outro.

  • Verão (Dezembro a Fevereiro): É a alta temporada. Os dias chegam a ter 17 horas de luz, permitindo aproveitar bem o dia. A vegetação tem uma coloração bem viva que contrasta com os picos nevados. É, no entanto, o período em que os ventos da região atingem sua força máxima, muitas vezes ultrapassando os 100 km/h. É uma ótima época para fazer todos os trekkings e navegações se tiver bom preparo físico e joelhos! As temperatura podem variar 13°C e 18°C durante o dia, mas a noite e de madrugada, os termômetros podem cair para 5°C e 8°C. Pode chover bem pouco e não neva. A neve fica apenas nos cumes das montanhas mais altas.

  • Outono (Março a Maio): As encostas das montanhas, ficam com uma cor alaranjada das folhas das plantas que logo irão cair. Os ventos vão perdendo a força, mas o frio se intensifica. As temperaturas, durante o dia, dificilmente ultrapassam os 10°C a 12°C, e a noite podem chegar a 0°C. Leve roupas próprias para esse tipo de temperatura. Os dias ficam mais úmidos e nublados. A partir do final de abril, as primeiras nevascas começam a cobrir as encostas das montanhas.

  • Inverno (Junho a Agosto): Essa época é considerada uma segunda alta temporada pois muita gente vai para ver e realizar atividade na neve. As temperaturas despencam bem abaixo de 0°C e muitas trilhas nas montanhas são interditadas pelo acúmulo de neve. Nessa época você pode fazer atividades na neve como esqui e experiências contemplativas em vales cobertos de neve. Máximas em torno de 2°C a 4°C durante o dia, e mínimas noturnas batem os -5°C a -10°C. A chuva é substituída pela neve constante. As nevascas são frequentes e esperadas em toda a região da Tierra del Fuego e lagoas menores congelam completamente. Os dias são curtos com apenas 7 a 8 horas de luz.

  • Primavera (Setembro a Novembro): Visitamos a Patagônia em outubro. É quando começa o degelo que alimenta os rios e cachoeiras da região. O clima é bem instável e você viverá as quatro estações no intervalo de poucas horas. A temperatura começa a subir de 10°C a 14°C, enquanto as mínimas se mantêm entre 2°C e 5°C. Pode chover, nevar e fazer sol em um mesmo dia. Foi exatamente o que aconteceu com a gente em El Chálten. 

3. Como chegar na Patagônia Argentina?

Neste guia, mostramos como estruturamos a nossa chegada e a movimentação entre os principais cidades. Esqueça a ideia de que alugar um carro resolve tudo ou que as distâncias são irrelevantes. Aqui, compartilhamos a logística exata para otimizar o seu tempo e o seu conforto, garantindo que o deslocamento seja, por si só, parte do espetáculo visual.

Existem diferentes maneiras sobre como chegar na Patagônia Argentina. Para quem gosta de aventura e não quer gastar muito, viajar de carro ou de ônibus pode ser uma boa opção. Por outro lado, se você busca conforto e comodidade, a melhor opção é chegar de avião.

Avião

Se você for de avião, a porta de entrada para a Patagônia Argentina quase sempre exige uma escala em Buenos Aires. Os voos internacionais pousam em Ezeiza (EZE) ou no Aeroparque (AEP), e é fundamental prestar muita atenção nesta troca, escolha conexões que saiam do mesmo aeroporto, pois o deslocamento entre os dois aeroportos de Buenos Aires pode causar um perrengue desnecessário. 

As duas grandes portas de entrada são Ushuaia e El Calafate. No inverno você também pode ter a opção de chegar por Bariloche. O Aeroporto Internacional de Ushuaia (USH) te leva para a Tierra del Fuego, a região mais ao sul do continente. Dependendo da época que você for viajar, podem ter voos diretos pela Gol ou Latam, mas a maioria dos voos são operados pela Aerolíneas  Argentinas que normalmente faz escala em Buenos Aires. Já o Aeroporto Internacional de El Calafate (FTE) te dá acesso para a região dos glaciares. Não existem voos diretos do Brasil para El Calafate. A escolha entre esses aeroportos vai depender do que você pretende conhecer no seu roteiro.

Nós saímos de São Paulo pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) com a Aerolíneas Argentinas, fizemos uma escala em Buenos Aires no Aeroporto Aeroparque (AEP). Desse mesmo aeroporto saímos do terminal internacional e fomos até o terminal doméstico para pegar um voo até El Calafate (FTE). Ficamos três dias em El Calafate e fomos de carro alugado para El Chálten, onde ficamos dois dias. Retornamos para El Calafate para pegar um voo até Ushuaia. Depois de cinco dias retornamos direto pro Brasil, porém, sempre com uma escala em Buenos Aires.

Vista aérea de dentro do avião, decolando de Ushuaia e com montanhas nevadas com por-do-sol
Vista área decolando de Ushuaia

Ônibus

Pode parecer sem sentido, mas sim, dá para ir até a Patagônia de ônibus. Você precisará de muito mais tempo de viagem para cobrir o tempo de deslocamento, mas com certeza uma experiência de imersão total.

Não tem ônibus que saia direto do Brasil para alguma cidade patagônica, então você precisará chegar em Buenos Aires. As empresas de ônibus que realizam a rota direta de São Paulo para Buenos Aires são a Crucero del Norte e a JBL Turismo. Os ônibus partem exclusivamente do Terminal Rodoviário do Tietê. De Buenos Aires você pode escolher qual a melhor cidade para você chegar na Patagônia.

Prepare-se para uma viagem bem longa que leva aproximadamente de 36 a 45 horas, dependendo do tempo de parada na imigração na fronteira. Não esqueça que para cruzar a fronteira é obrigatório apresentar o RG original (com foto recente) ou o Passaporte válido. CNH não é aceita para entrar na Argentina.

Carro

Cruzar o continente de carro não é apenas uma viagem, é uma expedição. E para que o encanto da estrada não se transforme em exaustão, é preciso muito mais do que um tanque cheio. Atravessar a fronteira  por São Borja (RS) ou Uruguaiana (RS) costuma ser mais rápido e conecta rapidamente às estradas da província de Corrientes, na Argentina.

Prepare-se para dirigir por mais de 4.000 km. O grande erro é tentar dirigir 12 horas por dia, programe trechos diários de 600 a 800 km. Isso permite chegar aos hotéis de trânsito a tempo de um bom banho quente, um jantar com uma taça de vinho e uma noite reparadora em uma boa cama, o verdadeiro segredo para manter o bom humor a dois na estrada.   

Ao atingir a icônica Ruta 3, a viagem muda de figura. Os postos de combustível (“YPF”) vão ficando cada vez mais distantes, exigindo abastecimento estratégico sempre que o ponteiro marcar meio tanque. É aqui que as distâncias continentais testam a resiliência do casal e do veículo. Segure bem o volante, pois os ventos patagônicos podem tirar totalmente a estabilidade do carro.

Para chegar a Ushuaia de carro, é obrigatório cruzar um pequeno trecho do território chileno e embarcar o veículo na balsa do Estreito de Magalhães (Cruce Punta Delgada). Um momento de pausa forçada que rende fotos espetaculares do encontro dos oceanos.

Dica dos Pombos: muitas empresas de locação de carros não permitem que você alugue um carro em qualquer cidade argentina e cruze esta fronteira chilena, mesmo que você devolva em outra cidade argentina. Por exemplo: pegar o carro em El Calafate e devolver em Ushuaia (pois será necessário cruzar para o Chile). Verifique com antecedência nas empresas essa possibilidade para evitar problemas.

No próximo post, continuaremos nossa série sobre a Patagônia Argentina, destacando o que levar na bagagem para não passar perrengue, como levar o dinheiro/cartão, acesso a internet e a segurança da região.


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